11 Novembro 2006

Do Arquivo de Viagens (1)

Não! Não fazem mais cidades como minha Curitiba, não há lugar como o lar. Agrada-me muito o fato de viajar a rotina urbana, mesmo que não se tenha muita rotina ultimamente em minha vã vida. NÃO! Não fazem mais cidades como Curitiba.
Aquela mesmo que Dalton viajava, pra que viajar pra fora, é em Curitiba que viajo. A mesma de Leminski e a oração dos suicidas, a mesma da garoa fina, do chove, faz sol, frio, calor tudo ao mesmo tempo. Não desça mais ao litoral curitiboca não venha para cá. Permaneça aí prestigiando os bares do largo. Fuja da areia e do abafado clima litorâneo. Fique longe das ressacas de Matinhos, das praias impróprias para banho, das balas de banana de Antonina, do porto sucateado de Paranaguá. Não tire o pé da capitã. Não aventure-se a descer a Graciosa e os paralelepípedos escorregadios, não pegue congestionamento no pedágio da Ecovia, este que nem abaixa e nem acaba. Não venha para o litoral. Esqueça também o Norte, o noroeste e os pés vermelhos, as cataratas de Foz, Lapa e o monge. Não arrede o pé de sua cidade. Hereges são aqueles que citam Santa Catarina ou os muambeiros o Paraguai, a estes meu desprezo, se saírem de preferência nem retornem a minha Curitiba.
Não estejam ás 0 hora de um início de sexta pós-finados, num quarto apertado de Antonina, calor quase insuportável e lençóis que atacam minha renite (abominem o Hotel Luz de Antonina). Minha cama no Boqueirão vale mais do que qualquer quartinho em Antonina. Nem o programa do Jô tem graça na TV (que só pega a Globo) deste hotel tosco. Agüentarei mais 3 longas e suadas noites a 70 km de minha querida cidade. Por pouco que eu sai de Curitiba, Curitiba não sai de mim.
Antonina, 03 de Novembro de 2006.
0h20

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