16 Agosto 2007

Zzzz

Não, não enlouqueça. Pelo menos não hoje. Não alimente mais pensamentos desconexos, coisas insanas. A noite está bonita lá fora. Incomum, como quando um portão sai do trilho e descarrilado fica a mercê da gravidade, pende pro lado em pesa mais. Desaba fazendo um estrago. O amparo acontece, mas é momentâneo e temporário. Uma hora cai, a se cai.
E quando cai parece que todo cai junto. E cai de uma vez só, em pé, deitado, folha por folha, tudo junto, misturado e sem razão. Existe razão? O que sei, e deveria saber melhor, é que não é esse meu papel, meu estilo, minha política de vida. A tempos que meu escudo rebate toda solidão para longe. Carência? Inferno astral? Macumba? Falta de reza? O que seria.
Não vejo motivos para apostar tão baixo, mas a banca recolheu suas moedas. Não vejo motivo para descer o horizonte e ver as coisas como se estivesse sentado. Não vejo motivo, causa, modo ou conseqüência deste mês errado. Não vou enlouquecer. Talvez eu já seja louco. Hoje já é amanhã e o sono presente fica em segundo plano. Pra que dormir, a vida é rápida, mal aproveitada e sem sentido. Dormir atrapalha. Mas com virei uma pilha de contradições, atenderei o chamado de meu travesseiro e repousarei até mais tarde. Quem sabe o despertar valha mais, quem sabe nem valha a pena sair da cama.

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