Por onde?
Por onde eu vôo, há caminhos desconcertantes. Ruas paralelas, encruzilhadas, becos escuros e cruzamentos perigosos. Quando decolo, me desprendo de tudo que é terreno. Da luz, que por muitas vezes ofusca a vista. Do solo, tirando o calçado e deixando os pés livres para respirar.
Ao tomar certa altura, certifico-me de que já estou no espaço seguro. Porém não adianta, em qualquer lugar há normas e regras que atrapalham. Muitos vôos são abortados, interrompidos. Alguns tem sua rota desviada, na esperança de que seu destino seja uma terra conhecida, já que o desconhecido dá medo a muita gente. Mas outros, fluem para longe. Tão longe o quanto puder imaginar.
Quando chego ao destino, me assusto. As vezes é surpresa, rotas por caminhos excitantes. As vezes é uma simples condenação, uma descoberta de que o seu caminho não era aquele. O pior é quando o vôo faz você lembrar que nem sempre se tem asas, e com os pés no chão, muita coisa é diferente.
Quando vemos que o que falamos é totalmente o oposto da rota planejada, fazemos pousos de emergências. Assustamos muitos passageiros quando os vôos não são individuais. Atrapalhamos a decolagem de outros, afinal, é perigoso quando todo mundo descobre que tem asas e pode usá-las.
Mas uma coisa é certa. A pior de todas as partes é aterrissar. Descer bem rápido, com o bico inclinado ao chão, tocando levemente o solo. Parar totalmente em um curto espaço.
No chão não se é livre. A luz atrapalha, o calçado aperta e tudo funciona dentro de uma caixa. 4 lados, um teto e um chão, janelas para ventilar, porta para sair correndo.
Mas o que fazer quando se tem de ver a vida do chão? Lá do alto tudo se distorce. Tudo fica engrandecido, eufemisado, bonito. Daqui de baixo vê-se a verdade, a realidade, a incompetência, ou juízos de valor.
Quero passar mais tempo vendo a vida lá de cima. Aqui em baixo parece que nada tem graça, e que nada que um dia teve, tem sentido. Há vezes que nem há mesmo. Nesta hora, em estou no solo, em que toco com os pés no chão, penso apenas em pedir a Deus asas maiores e destinos melhores para se voar mais alto.
4 comentários:
Agora sim... na minha humilde opinião, o seu melhor texto Senhor Bruno Mendonça! ;]
Beijão
Também sempre gostei de voar. A sensação do ar em nosso rosto, a leveza do nosso coroo, e a observação do "todo" é o que mais me encanta. Realmente estar no chão, com tanta coisa, medo, insegurança, não é a melhor opção. Voar é ser intenso, e eu gosto disso.
O Bruno agora não tem mais tempo pra postar textos no seu blog, não é?! Sempre dou uma passada por aqui, ver se tem algo novo, mas eu não fico triste quando vejo que não tem, porque sei que agora ele é um moço super ocupado, e que tá se tornando alguém importante, e conquistando seus objetivos. :)
Beijos, de alguém que torce sempre pelo seu sucesso, e que tem um carinho enorme por você.
mais é um monstro mesmo hahahaha
só vim aqui te encher o saco :D
e aí, como anda a vida?
abraço!
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