23 Setembro 2007

Por onde?

Por onde eu vôo, há caminhos desconcertantes. Ruas paralelas, encruzilhadas, becos escuros e cruzamentos perigosos. Quando decolo, me desprendo de tudo que é terreno. Da luz, que por muitas vezes ofusca a vista. Do solo, tirando o calçado e deixando os pés livres para respirar.
Ao tomar certa altura, certifico-me de que já estou no espaço seguro. Porém não adianta, em qualquer lugar há normas e regras que atrapalham. Muitos vôos são abortados, interrompidos. Alguns tem sua rota desviada, na esperança de que seu destino seja uma terra conhecida, já que o desconhecido dá medo a muita gente. Mas outros, fluem para longe. Tão longe o quanto puder imaginar.
Quando chego ao destino, me assusto. As vezes é surpresa, rotas por caminhos excitantes. As vezes é uma simples condenação, uma descoberta de que o seu caminho não era aquele. O pior é quando o vôo faz você lembrar que nem sempre se tem asas, e com os pés no chão, muita coisa é diferente.
Quando vemos que o que falamos é totalmente o oposto da rota planejada, fazemos pousos de emergências. Assustamos muitos passageiros quando os vôos não são individuais. Atrapalhamos a decolagem de outros, afinal, é perigoso quando todo mundo descobre que tem asas e pode usá-las.
Mas uma coisa é certa. A pior de todas as partes é aterrissar. Descer bem rápido, com o bico inclinado ao chão, tocando levemente o solo. Parar totalmente em um curto espaço.
No chão não se é livre. A luz atrapalha, o calçado aperta e tudo funciona dentro de uma caixa. 4 lados, um teto e um chão, janelas para ventilar, porta para sair correndo.
Mas o que fazer quando se tem de ver a vida do chão? Lá do alto tudo se distorce. Tudo fica engrandecido, eufemisado, bonito. Daqui de baixo vê-se a verdade, a realidade, a incompetência, ou juízos de valor.
Quero passar mais tempo vendo a vida lá de cima. Aqui em baixo parece que nada tem graça, e que nada que um dia teve, tem sentido. Há vezes que nem há mesmo. Nesta hora, em estou no solo, em que toco com os pés no chão, penso apenas em pedir a Deus asas maiores e destinos melhores para se voar mais alto.